Médico da Hapvida explica como identificar os sinais, quando buscar avaliação e quais são as principais formas de tratamento
O aumento desproporcional de gordura nas pernas, quadris e até nos braços costuma ser associado à estética, mas pode indicar lipedema. De acordo com a Associação Brasileira de Lipedema, trata-se de uma condição crônica e progressiva que afeta principalmente mulheres e ainda é confundida com obesidade ou retenção de líquidos. Apesar de descrita na literatura médica desde 1940, a doença foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apenas em 2022.
No Brasil, a condição atinge uma parcela relevante da população feminina. Estudo divulgado pelo Jornal Vascular Brasileiro aponta prevalência estimada de 12,3%, o que corresponde a cerca de 8,8 milhões de brasileiras entre 18 e 69 anos com sintomas sugestivos do diagnóstico. A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular indica que fatores como alimentação inadequada, sedentarismo e predisposição hereditária podem contribuir para o desenvolvimento da condição e impactar a mobilidade das pacientes.
Segundo Paulo Sérgio Egydio, cirurgião vascular da Hapvida, o lipedema está associado a alterações na circulação que contribuem para o acúmulo de líquido e inflamação nas áreas afetadas. “Nos tecidos afetados, os capilares são mais frágeis, o que causa vazamento de líquido, formação frequente de hematomas e inflamação local”, explica.
Sinais e sintomas
O médico destaca que o quadro apresenta características que auxiliam na identificação. “O acúmulo de gordura ocorre principalmente em quadris, coxas, joelhos e panturrilhas, geralmente de forma simétrica, enquanto os pés permanecem preservados”, ressalta.
Segundo Egydio, também são comuns dor ao toque, sensação de peso nas pernas, facilidade para formação de hematomas e dificuldade de reduzir o volume mesmo com dieta e exercício. O quadro ainda pode incluir nódulos sob a pele, piora dos sintomas ao longo do dia ou com o calor e diferença perceptível entre a parte superior do corpo e os membros inferiores.
Tratamento
A abordagem busca reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Para o especialista da Hapvida, as medidas iniciais são conservadoras e envolvem diferentes frentes. “A drenagem linfática, o uso de meias de compressão e a prática de exercícios físicos ajudam a reduzir o inchaço, aliviar a dor e melhorar a circulação. O acompanhamento médico contínuo também é fundamental, pois ajuda a reduzir a progressão e a manter o bem-estar da paciente ao longo do tempo”, orienta Egydio.
Ele também destaca a importância da alimentação, que não elimina a doença, mas contribui para o manejo dos sintomas. “Recomendamos aderir à dieta mediterrânea, que reduz o consumo de alimentos processados e ultraprocessados, tem baixo índice glicêmico, melhora a retenção de líquidos e reduz a inflamação dos tecidos”, ensina.
Em estágios mais avançados, a cirurgia pode ser indicada. “A lipoaspiração específica para lipedema remove a gordura afetada e pode melhorar a dor, a mobilidade e a qualidade de vida”, finaliza o médico.
