Encontro promovido pelo WTC Ribeirão Preto reuniu lideranças da Rodonaves e da Eurobike para debater experiências sobre transição de comando, governança e continuidade dos negócios
Como preparar uma empresa para seguir crescendo quando chega a hora de mudar a liderança? O desafio da sucessão e da profissionalização da gestão esteve no centro do encontro “Quando o sucesso precisa evoluir”, promovido pelo WTC Ribeirão Preto Business Club nesta quinta-feira, 29 de outubro. A conversa reuniu Vera Naves, vice-presidente do Grupo Rodonaves, e Henry Visconde, presidente da Eurobike, que compartilharam experiências sobre a preparação de sucessores, a entrada de executivos e a manutenção dos valores que orientam os negócios.
A discussão acompanha uma transformação apontada pelo Global Family Business Report 2026, estudo da consultoria KPMG com 1.927 lideranças de 41 países, sendo 122 brasileiros. Segundo a pesquisa, a proporção de empresas familiares no Brasil administradas diretamente pela família deve cair de 48% para 8% até 2035, indicando uma tendência de profissionalização da gestão, sem necessariamente afastar os familiares da propriedade ou das decisões estratégicas.
“O erro mais comum nessa transição é achar que ninguém vai te substituir”, afirmou Vera Naves. Na Rodonaves, a estruturação da gestão acompanhou o crescimento da operação e a expansão para diferentes regiões do país. O processo de profissionalização e fortalecimento da governança ganhou força a partir de 2017, avançou durante a pandemia, em 2020, e teve como um dos marcos a chegada do CEO Régis Tiecher, em 2024.
“A profissionalização não afasta a família do negócio. Ela define como contribuir estrategicamente, preservar os valores e garantir espaço para a gestão executiva”, explicou Vera, que também comparou a transição ao momento de ver um filho seguir o próprio caminho, um processo difícil, mas necessário, segundo ela.
Na Eurobike, Henry Visconde destacou que a sucessão exige preparo e compromisso, e não apenas vínculo familiar. Antes de ingressarem na marca, seus filhos atuaram em outras empresas e, posteriormente, assumiram funções compatíveis com suas formações e conhecimentos adquiridos.
“A empresa deve se perpetuar além do fundador. A gente precisava crescer, mas também ter pessoas preparadas e engajadas para levar o negócio adiante”, afirmou Henry. Segundo o executivo, preservar a cultura organizacional não significa impedir mudanças, mas garantir que o crescimento seja conduzido por profissionais alinhados aos princípios da companhia.
Para Rodolfo Guimarães, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, a discussão acompanha uma demanda do empresariado regional. “Muitos negócios já têm 40 ou 50 anos de história e estão organizando essa passagem de bastão para seus sucessores. Por isso, falar de governança e sucessão familiar gera tanto engajamento. Nosso papel é trazer temas que façam sentido para esse momento, aproximar lideranças e criar oportunidades para que empresários compartilhem experiências e levem novos insights para o dia a dia”, afirmou.
Sobre o WTC Ribeirão Preto Business Club
O WTC Ribeirão Preto Business Club conecta empresários, executivos e lideranças da região por meio de uma agenda voltada ao relacionamento empresarial, à geração de oportunidades de negócios, ao compartilhamento de conhecimento e à internacionalização. Associado à marca WTC, o clube integra o ecossistema global da World Trade Centers Association (WTCA), com presença em 320 cidades e 93 países, ampliando as possibilidades de conexão com mercados e organizações de diferentes países.
Sua criação acompanha a chegada do empreendimento World Trade Center Ribeirão Preto, lançado em 2025. Entre as atividades promovidas pelo Business Club estão encontros empresariais, missões internacionais e comitês temáticos realizados mensalmente, que reúnem membros e convidados para discutir assuntos relevantes ao ambiente corporativo, compartilhar experiências e estabelecer novas relações de negócios.
