A dificuldade de conseguir ou manter uma ereção pode ser mais do que uma questão relacionada à vida sexual. Em alguns homens, a disfunção erétil pode aparecer antes de outros sinais de doenças cardiovasculares e funcionar como um alerta para alterações na circulação sanguínea. Por isso, o Outubro Verde também chama a atenção para a importância de investigar a saúde vascular diante de mudanças persistentes na função sexual.
A disfunção erétil é comum e pode estar relacionada a diferentes fatores, como diabetes, hipertensão, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, alterações hormonais e doenças cardiovasculares. Uma revisão publicada no European Heart Journal aponta que a disfunção erétil e as doenças cardiovasculares compartilham diversos fatores de risco e que a manifestação sexual pode preceder eventos cardiovasculares em alguns pacientes.
O urologista Elizeu B. Neto explica que a relação está principalmente na circulação sanguínea. “A ereção depende de um bom funcionamento dos vasos sanguíneos. Como as artérias do pênis são menores do que as coronárias, alterações vasculares podem se manifestar primeiro na região genital, antes que o paciente apresente sintomas cardíacos mais evidentes”, explica.
Isso não significa que todo homem com disfunção erétil tenha uma doença cardíaca. A alteração também pode ter causas psicológicas, neurológicas, hormonais, medicamentosas ou estar relacionada a outras condições. Por isso, a avaliação individual é fundamental.
“Quando um homem que não tinha esse problema começa a apresentar uma dificuldade persistente de ereção, não devemos simplesmente tratar o sintoma sem investigar a causa. É importante avaliar pressão arterial, glicemia, colesterol, hábitos de vida e outros fatores de risco cardiovascular”, orienta Elizeu B. Neto.
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, com cerca de 17,9 milhões de mortes por ano. Muitas dessas doenças estão relacionadas a fatores modificáveis, como tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, hipertensão, diabetes e colesterol elevado.
A prevenção, portanto, passa também por mudanças no estilo de vida. Parar de fumar, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso e acompanhar pressão, glicemia e colesterol são medidas que contribuem tanto para a saúde cardiovascular quanto para a função sexual.
A disfunção erétil persistente não deve ser encarada simplesmente como uma consequência inevitável do envelhecimento. Em alguns casos, ela pode ser justamente a oportunidade de identificar precocemente fatores de risco que também afetam os vasos sanguíneos e iniciar uma investigação antes que surjam complicações cardiovasculares
