O que são as “sardas brancas” e como tratá-las?

Por Dra. Lilian Odo (dermatologista)*

Já se deparou com as chamadas “sardas brancas”, isto é, manchas esbranquiçadas na pele? Muito se fala sobre as escuras, mais comuns, mas pouco se conhece sobre as sardas claras. Costuma aparecer nos braços e pernas, essa condição, que na verdade é uma Leucodermia Gutata, bastante frequente entre os brasileiros e muito confundida com vitiligo.

Isso porque essas manchas, assim como as sardas escuras, são um resultado da exposição excessiva ao sol. O aspecto também é parecido: têm forma arredondada e medem entre 2 e 5 mm de circunferência.

As “sardas brancas” não coçam, não doem e não são contagiosas. São completamente benignas. No entanto, a pigmentação diferente faz com que afete a uniformidade na cor da pele, e, às vezes, traz um aspecto envelhecido. Por isso, pode causar insatisfações estéticas, principalmente porque ficam bem expostas.

Prevenção

Para evitar que essas manchas apareçam ou se multipliquem, o ideal é evitar excesso de luz solar, principalmente nos horários mais quentes, entre 10h e 16h.

Além disso, protetor solar é fundamental e deve ser usado e reaplicado, se a exposição solar for prolongada, em toda parte do corpo que ficar descoberta, não apenas no rosto. Roupa, cujo tecido oferece proteção solar é uma forma eficaz de prevenção às sardas brancas.

Tipos de tratamento

Caso já tenha desenvolvido esse problema, o inverno é o melhor período para tratar, pois as pessoas se expõem menos ao sol e estão mais protegidas por roupas. Para recuperar a coloração da pele, são recomendados os seguintes procedimentos: laser ablativo, crioterapia, dermabrasão e MMP (Microinfusão de Medicamento na Pele).

Esses procedimentos visam a retirada da camada mais superficial da pele lesada para estimular o processo cicatricial. O processo acontece a partir de células sadias que vêm da periferia para o centro, e também de dentro para fora. A MMP ainda permite a permeação cutânea de um medicamento que estimula a pigmentação.

Recomendações

Todos esses tratamentos são indicados para todos os tipos de pele, desde que o indivíduo não apresente problemas para uma boa cicatrização. A escolha do método depende da experiência e preferência de cada profissional.

Quando bem realizado, apresenta bons resultados, pois a pele bem cicatrizada apresenta melanócitos sadios e funcionantes, que produzem a melanina, pigmento responsável por dar cor à pele.

Do pré ao pós

Para iniciar o tratamento, a pele deve estar limpa e sem machucados, alergias ou infecções. A duração depende da resposta e da quantidade de lesão de cada paciente, mas pode ser necessário de duas a quatro sessões, com intervalo de um mês entre elas.

A sessão traz uma dor leve a moderada. Porém, quando se usa um anestésico tópico previamente ao procedimento, o desconforto é muito bem tolerado, já que o tratamento é extremamente rápido em cada lesão.

Durante o procedimento deve-se ter o cuidado com as áreas tratadas como se fosse um pequeno machucado, mantendo a higiene local, passando uma pomada cicatrizante e fazendo proteção com curativos até que a pele esteja totalmente cicatrizada, o que leva cerca de uma a duas semanas. Deve-se também evitar piscina, praia, sol, cutucar ou retirar a casquinha das lesões precocemente.

Depois, como as “sardas brancas” são causadas pelo dano cumulativo dos raios ultravioleta ao longo da vida, é importante manter o uso regular de filtros solares e outras medidas de proteção, como roupas e guarda-sol, para que não voltem a aparecer.