Empresa júnior da USP cria app capaz de melhorar a vida de mais de 70 mil gestantes por ano em Goiás

O sistema, desenvolvido pela Poli Júnior, leva informações sobre os resultados dos exames até 87% mais rápido do que o método tradicional

A situação da saúde pública no Brasil é sempre preocupante, principalmente quando envolve gestantes, crianças e idosos. Não é incomum mulheres grávidas perdem seus filhos devido a atrasos na rede pública, já que muitas delas acabam não recebendo resultados cruciais a tempo de salvar a vida do bebê. As orientações sobre os cuidados necessários na gestação deveriam chegar a todas as futuras mães, mas não é essa a realidade do país.

O cenário de gestantes no Brasil apresenta um alto número de mulheres grávidas ainda na adolescência e, em contraponto, mostra também uma crescente no número de grávidas com mais de 30 anos de idade, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas duas faixas etárias apresentam riscos para as mães e bebês, o que exige um acompanhamento mais atento e próximo entre os envolvidos.

Considerando que apenas 30% da população brasileira possui um plano de saúde particular, e foram registrados mais de 2 milhões e 800 mil nascimentos no país em 2018, ainda segundo o IBGE, a Poli Júnior – empresa júnior da melhor escola de engenharia do país, a USP -, aceitou o desafio proposto por um dos laboratórios de biomedicina, que fazem parte do atendimento do Programa de Proteção à Gestante (PPG) do Estado de Goiás: melhorar a vida de mais de 70 mil gestantes por ano no Estado, que sofre com a precariedade da saúde pública.

Para isso, desenvolveram um aplicativo com o uso de inteligência artificial, capaz de aproximar as gestantes dos postos de saúde, dando acesso mais ágil aos resultados dos exames realizados no pré-natal. O projeto é capaz de entregar as informações para as grávidas até 87% mais rápido do que a maneira tradicional, que conta com filas, horas em pé e desencontro de informações.

Os resultados de exames de sangue, por exemplo, são capazes de identificar em uma única coleta doenças como Toxoplasmose, HIV, Doença de Chagas, entre outras. Tradicionalmente, o material do exame é coletado no posto de saúde, enviado a um laboratório de análise diagnóstica e – em seguida – o resultado é levado de volta para o posto, para que a gestante finalmente tenha acesso. Com o aplicativo desenvolvido pela Poli Júnior esse processo é reduzido pela metade, diminuindo custos e tempo no processo, que anteriormente levava até 3 meses para ser entregue.

Além disso, o sistema conta com informações gerais para tirar dúvidas frequentes sobre a gravidez, para as mamães conseguirem acompanhar o desenvolvimento do bebê de forma mais saudável e humanizada. A maioria das usuárias impactadas são mulheres de baixa renda, que moram em locais distantes dos postos de saúde, como no interior de Goiás, então possuem baixo acesso a informações e não é cômodo realizarem o trajeto de ida e volta entre posto de saúde e suas residências regularmente.

O programa tem como objetivo melhorar a qualidade da triagem pré-natal realizada para verificar a presença de doenças que possam ser transmitidas da gestante ao bebê, como a sífilis. O resultado desta triagem viabiliza o tratamento de tais doenças, evitando graves sequelas. Esta situação está relacionada diretamente ao terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), que é assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.