Avanços na histeroscopia cirúrgica: a técnica MIMO

José Higino Ribeiro dos Santos Júnior, ginecologista da Hapvida, explica alternativa mais delicada para tratar lesões no útero, com recuperação rápida e diagnóstico preciso

Na Medicina, observa-se uma tendência na busca pela realização de procedimentos menos invasivos, capazes de garantir recuperações mais rápidas sem comprometer a eficácia clínica. No âmbito ginecológico, durante muitos anos, a energia elétrica foi considerada indispensável para a remoção de lesões intrauterinas, a exemplo de pólipos, miomas e sinequias.

No entanto, a evolução da metodologia e o refinamento dos instrumentos já permitem uma abordagem histeroscópica puramente mecânica, igualmente eficaz em casos selecionados e, em diversos aspectos, mais vantajosa.

Trata-se da técnica MIMO, sigla para Minimally Invasive Myomectomy Off Electricity , possível graças à utilização de pinças específicas para tratar miomas e pólipos com precisão e menor agressão ao endométrio. Ao evitar a energia elétrica, preserva-se melhor o tecido uterino, reduz-se o risco de danos térmicos e favorece-se uma recuperação mais rápida, mantendo foco especial na proteção da fertilidade e na qualidade da amostra para análise histopatológica.

Em outras palavras, quando analisamos a técnica histeroscópica dentro desses moldes, com o olhar clínico de quem lida diariamente com o útero e seus desafios, alguns benefícios se destacam de maneira muito evidente.

O primeiro é a excelência na preservação do material para biópsia. Em lesões com suspeita de malignidade, como determinados pólipos endometriais, a qualidade da amostra é decisiva para um diagnóstico preciso. A abordagem mecânica permite a retirada íntegra do tecido, mantendo suas características histológicas preservadas e oferecendo ao patologista condições ideais para uma análise detalhada e segura. Isso se traduz em maior confiabilidade diagnóstica e mais segurança na condução terapêutica.

O segundo benefício está diretamente relacionado à preservação da fertilidade. Ao atuar de maneira delicada e controlada sobre a cavidade uterina, a técnica respeita o endométrio basal, camada essencial para a regeneração do revestimento uterino e para a adequada preparação do útero para uma futura gestação.

O terceiro benefício é a redução de custos. Ao dispensar geradores de energia, alças de ressecção elétrica e outros insumos específicos, o procedimento pode se tornar mais acessível sem comprometer a qualidade técnica. Nesse cenário, oferecer uma alternativa eficaz, segura e economicamente viável é um avanço relevante.

Mais do que substituir uma tecnologia por outra, essa evolução representa um refinamento do cuidado ginecológico. Trata-se de escolher, para cada paciente, a estratégia que ofereça máxima precisão diagnóstica, menor agressão ao útero e melhores perspectivas reprodutivas, sempre com base em evidência científica e experiência clínica.

Com 20 anos de experiência e cerca de 20 mil procedimentos realizados por mim, a taxa de conversão para ressecção elétrica foi inferior a 2%, demonstrando segurança e eficácia quando bem indicada.

Como coordenador de Residência Médica em Ginecologia em programas credenciados pelo Ministério da Educação (MEC), tenho ajudado a capacitar especialistas aptos a aplicar a técnica com excelência, ampliando o acesso a uma cirurgia mais conservadora, baseada em rigor técnico, evidência científica e compromisso com a saúde da mulhe