Intercâmbio para pessoas com deficiência: três dicas para encontrar o lugar ideal

O sonho de ficar uma temporada em outro país aprendendo outras línguas e culturas já não está tão distante da realidade de pessoas com deficiência, com uma boa agência de intercâmbio, é possível tornar esse desejo uma realidade segura

Fazer um intercâmbio, aprender outra língua e conhecer culturas diferentes tornou-se uma opção positiva para muitas pessoas. E mesmo sendo uma considerável mudança de vida e de costumes é uma experiência possível para pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pela Unesco, mais de um bilhão de pessoas vivem com algum tipo de deficiência. Só no Brasil, são 45,6 milhões, representando 24% da população do país.

Além disso, um dado importante do mesmo órgão diz que, apenas 4,7% das calçadas no Brasil são acessíveis para pessoas com deficiência. Em São Paulo esse número é ainda menor, apenas 9% delas são acessíveis a essas pessoas.

De acordo com Thiago Catti, sócio-fundador da The Six International Studies, agência de intercâmbio com o foco no Canadá, viajar e passar uma temporada fora é totalmente possível para todas as pessoas mas, dependendo das condições, é preciso se atentar em alguns pontos na hora de escolher o destino. “Muitas cidades espalhadas pelo mundo apresentam uma boa acessibilidade, com todo o suporte para pessoas com deficiência como cadeirantes, por exemplo. Toronto, no Canadá, é uma ótima opção para quem busca um local acessível, segurança e não quer deixar esse sonho de lado. É possível sim”, declara o especialista que já morou em Toronto durante seis meses.

Ele ainda explica que o intercâmbio, além de ser uma ótima oportunidade para quem quer aprender outra língua e estar em contato com outras culturas, no caso de pessoas com deficiência, também é uma realização para se sentirem livres, independentes e com um sentimento de alcançar tudo o que desejam. “Na hora de planejar, tudo precisa ser pensado anteriormente, mesmo que pareça algo óbvio”, complementa.

Abaixo, ele lista alguns pontos importantes para se atentar na hora de escolher o destino. Confira:

  • 1 – Se instale perto da universidade que você fará o curso: esse é um ponto crucial. É importante prestar atenção e se informar se o local em que você irá estudar está devidamente preparado para receber pessoas com deficiência, além de contar com uma equipe de profissionais que estejam aptos a ajudar, caso o aluno precise de algo como subir uma escada, por exemplo. “Veja se a universidade também apresenta rampas de acesso, portas largas e elevadores”, explica Thiago.
  • 2- Veja se o transporte público é acessível: em questões de acessibilidade, o mesmo temos que prestar atenção quando o assunto é transporte público. Existe também a opção de alugar um carro adaptável, mas não é todo mundo que dirige ou está disposto a gastar com carro. Por isso, o transporte da cidade destino precisa estar preparado, com ônibus que baixam de nível para pegar um cadeirante em segurança, por exemplo. “Toronto é um exemplo de acessibilidade, e podemos encontrar facilidades na cidade toda”, diz.
  • 3- Escolha um lugar de hospedagem apto a receber pessoas com deficiência: quando a pessoa faz um intercâmbio, é preciso escolher aonde vai se hospedar, se será dentro da universidade, se vai alugar um apartamento ou até mesmo ficar em uma casa de família. “Não importa o local escolhido, trata-se de um processo em que tudo precisa ser planejado com o máximo de detalhes possível, para que a pessoa com deficiência não encontre nenhum imprevisto que torne a experiência traumática. Mas, de qualquer forma, é importante deixar claro que passar uma temporada em outro país traz muito vivência”, diz o especialista.
  • Ele ainda completa dizendo que todos esses detalhes precisam ser pensados com a ajuda de uma boa agência de intercâmbio que ofereça suporte para o cliente durante todo esse período tão importante e especial.
  • Para Fabíola Pedroso que é cadeirante e realizou viagens para os Estados Unidos e Holanda, o intercâmbio é um desafio para as agências. “Gostaria de ser ouvida, e abrir uma oportunidade para que além de mim outras pessoas com deficiência possam experimentar uma experiência como essa. É importante entender que cada pessoa tem a sua particularidade e que ela esteja segura de ficar sozinha em outro país com o suporte da agência”, finaliza.