Advogado especialista em Direito da Família, Guilherme Galhardo, destaca os benefícios emocionais e os critérios essenciais para a implementação eficaz da guarda compartilhada
A guarda compartilhada tem se tornado uma solução cada vez mais adotada nos casos de divórcio, proporcionando benefícios significativos para os filhos e para os pais. Para entender melhor essa prática e os critérios para sua implementação, conversamos com o advogado especializado em Direito de Família, Guilherme Galhardo.
Segundo Galhardo, a guarda compartilhada promove um contato mais equilibrado e frequente entre os filhos e ambos os pais. Isso contribui para o desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, que se sentem igualmente amadas e cuidadas. Além disso, com a guarda compartilhada, a responsabilidade sobre as decisões importantes é dividida. Isso tende a diminuir os conflitos, pois ambos os pais têm voz ativa e participam de maneira igualitária na criação dos filhos.
Estudos mostram que crianças em guarda compartilhada apresentam menor incidência de problemas comportamentais e emocionais. Elas se adaptam melhor à nova dinâmica familiar, pois não há a sensação de perda ou afastamento de um dos pais. A guarda compartilhada também contribui para a igualdade de gênero, uma vez que desmistifica a ideia de que a responsabilidade principal pelo cuidado dos filhos deve ser da mãe.
Para que a guarda compartilhada seja estabelecida, é necessário atender a alguns critérios importantes. Guilherme Galhardo detalha os principais: o principal critério é sempre o interesse do menor. O juiz avaliará se a guarda compartilhada realmente será benéfica para a criança, considerando sua idade, rotina e necessidades específicas. É essencial que os pais tenham um relacionamento minimamente cordial. Conflitos constantes podem inviabilizar a guarda compartilhada, pois o modelo exige cooperação e comunicação eficaz.
Para que a logística não se torne um problema, a proximidade geográfica entre as residências dos pais é fundamental. Escolas, atividades extracurriculares e consultas médicas são exemplos de compromissos que precisam ser gerenciados com eficiência. Os pais devem demonstrar capacidade de diálogo e disposição para resolver divergências de forma amigável. A guarda compartilhada não funcionará se houver falta de comunicação ou rancor. Além disso, é crucial ter um plano de convivência detalhado, que inclua horários, responsabilidades e regras de convivência. Isso evita mal-entendidos e garante que ambas as partes saibam exatamente quais são suas obrigações e direitos.
A guarda compartilhada é um modelo que traz inúmeros benefícios para as crianças e contribui para uma parentalidade mais equilibrada e justa. No entanto, sua implementação requer que certos critérios sejam atendidos, sempre com o foco no bem-estar do menor. Quando bem aplicada, a guarda compartilhada pode transformar a dinâmica familiar para melhor, proporcionando um ambiente mais saudável e feliz para todos os envolvidos, conclui Guilherme Galhardo.