EQUIPES AUTOGERENCIÁVEIS: POR QUE DESENVOLVÊ-LAS?

Já pensou em trabalhar em um local onde todos os empregados participassem das decisões da empresa?

Enquanto há muitas empresas obcecadas com a concorrência, as novas organizações vivem para seu próprio propósito. E sabem como engajar e gerar pertencimento a cada colaborador.

Afinal, sabemos que a vida organizacional pode ser desanimadora para alguns funcionários. São muitos os que sentem pouca satisfação nos seus empregos e os esforços gerenciais para ajustar a cultura corporativa geralmente criam mais problemas.

Mas, segundo Frederic Laloux, autor do livro “Reinventando as Organizações”, não é difícil mudar essa realidade. A verdade é que as empresas podem tornar a vida mais gratificante para os seus colaboradores, alcançando um novo estágio de desenvolvimento baseado na confiança e na colaboração.

Isso é entender que uma organização precisa caminhar junto com a vida de cada colaborador e construir parceria com o sucesso.

Gosto muito do que o autor traz nesse livro porque fica claro como as organizações evoluíram de acordo com sete estágios históricos do desenvolvimento humano.

Esses paradigmas são destacados por cores e os dois modelos mais modernos – Realizador-Laranja e Pluralista-Verde – são ideais para criar uma cultura corporativa de apoio e obter lucros significativos no processo.

O paradigma pluralista, por sinal, prioriza a cultura orientada por valores, a responsabilidade social e empoderamento dos funcionários.

O autor discute ainda sobre o surgimento de um novo modelo organizacional, o Evolutivo-Teal, que tende a ser adotado nas corporações e é baseado na mudança dos paradigmas comportamentais devido à evolução da consciência humana.

Em organizações que já praticam a evolução da consciência humana, é muito provável que exista uma equipe autogerenciável.

Equipes autogerenciáveis são aquelas que não dependem de uma voz de comando para executar suas funções e cumprir suas tarefas com responsabilidade e excelência.

Comando e controle, aliás, não têm mais o mesmo significado quando falamos em liderança. Na verdade, a competência mais exigida do líder é gerir a ambiguidade, desconstruir conceitos, crenças e modelos de gestão para construir uma nova forma de trabalhar, de liderar as pessoas, processos e resultados.

Aproveite para ler meu texto específico sobre Desconstrução e Inovação aqui no blog.

O mundo está exigindo uma liderança que provoque a mudança do pensar de forma ágil, com a capacidade de influenciar pessoas, impactando positivamente no desenvolvimento de cada indivíduo e buscando maior conexão de cada integrante da equipe com seu propósito.

Essa liderança será crucial para o desenvolvimento de uma equipe autônoma em que a autogestão e a corresponsabilidade estão constantemente presentes.

Nos modelos antigos de gestão de RH, somente chefes de equipes tinham autonomia para a tomada de decisões, enquanto os demais eram meros encarregados de executar ideias que surgiram nas cabeças de outras pessoas.

Percebe como isso não é eficiente para ninguém?

1º. ao invés de cuidar de assuntos realmente estratégicos para as pessoas e para os negócios, a liderança atua apenas como um inspetor, vendo se os funcionários estão cumprindo suas funções corretamente.

2º. para os colaboradores de modo geral, a produtividade é prejudicada, já que se sentem simplesmente cumpridores de tarefas, limitando a confiança e o desenvolvimento dos profissionais e reduzindo a qualidade do trabalho.

Isso tem tudo a ver com meu conteúdo sobre pertencimento, esse sentimento tão importante que precisa ser gerado nas equipes e empresas. Confira aqui.

Autogestão

Numa estrutura autogerenciável, a ideia é que todos os integrantes do time de trabalho tenham plena ciência de suas atividades e resultados, agindo de maneira autônoma e proativa.

Em resumo, todos sabem o que precisa ser feito, quando, como, por quem, até quando e porquê.

Cada um está ali fazendo o trabalho que precisa ser feito e se sentindo parte de cada conquista, cada resultado e cada iniciativa.

Embora seja um trabalho que exige estratégia, método, dedicação e foco, os efeitos de desenvolver uma equipe autogerenciável são amplamente positivos para a organização.

Além do que, o sentimento de responsabilidade somado a liberdade em que esses profissionais atuam, ampliam a confiança, a abertura e a motivação para entregarem resultados baseados na excelência.

Por que é bom para as empresas?

Equipes autogerenciáveis são baseadas no empoderamento profissional de cada funcionário. Neste tipo de organização, prevalece a confiança mútua, a solidariedade, o espírito de inovação, o exercício da liderança informal, a troca de experiências e informações e o gosto pelo trabalho em equipe.

Afinal, no trabalho em equipe, sempre prevalece a máxima de que “nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos”, para citar a frase do autor Warren Bennis e reiterar a importância da coletividade na construção de grandes resultados.

Quando uma empresa tem equipes que focam no próprio desempenho, isso fica refletido na sinergia da atuação, como exemplifiquei no início do texto. Entre os benefícios de contar com esse autogerenciamento, podemos destacar:

Horizontalidade

É impossível ser independente quando se precisa de permissão para absolutamente tudo ou se há sempre um medo de punição. Com hierarquias mais horizontais, processos ficam mais ágeis.

Empoderamento

Ao propor métodos de trabalho, projetos ou desafios, o grupo se torna mais engajado, sabendo que a liderança trabalha ativamente no desenvolvimento de cada um e de todos

Produtividade

Incentivar a equipe a se autogerenciar e estimular a independência reflete na confiança de seus integrantes e torna o ambiente de trabalho muito mais produtivo.

Desenvolvimento

Habilidades e competências individuais ficam mais evidentes em estruturas autogerenciáveis, mostrando talentos e abrindo possibilidades para novas lideranças.

Foco

Com menor preocupação com questões puramente operacionais, que serão rapidamente gerenciadas pela própria equipe, há mais tempo e energia para focar nas estratégias do negócio.

Além disso, a boa organização é a maior diferença que se nota quando a equipe é autogerenciável. É como se houvesse um fluxo bem determinado, cujas peças principais se encaixam sem esforço ou preocupação.

Ao criar processos mais eficientes, a empresa também consegue ser mais assertiva com a aplicação de recursos, melhorar o clima organizacional e aprimorar sua busca por novos integrantes, já que mapeia os talentos necessários para compor o time.

O papel dos gestores

Para desenvolver a cultura de equipes autogerenciáveis, a liderança e a gestão precisam ter ampla visão dos processos, mensuração de resultados e indicadores de desempenho que possam ser utilizados a favor do desenvolvimento das pessoas.

Pessoas totalmente preparadas, conectadas ao propósito e com forte sentimento de pertencimento, executam funções com excelência.

Assim, gestores de empresas têm papel fundamental na estruturação e desenvolvimento desses grupos colaborativos de pessoas que compartilham entre si a responsabilidade pela realização de um projeto.

Todos os membros de uma equipe autogerenciada têm autoridade para tomar decisões e senso crítico suficiente para supervisionar a si próprios.

Se o mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) já era desafiador para a liderança, a transição para o mundo BANI (Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível, na tradução para o português) tornou a gestão de pessoas e a habilidade de liderança essencial para que se possibilite a criação de equipes de alta performance com resultados muito maiores do que a soma de esforços individuais.

Dicas para desenvolver a autogestão

Equipes autônomas de alto impacto têm no comprometimento com as atividades a serem realizadas sua maior força em busca de resultados.

Para isso, o grupo tem, também, autonomia para se organizar da forma que for mais produtiva e eficiente (no entendimento de seus próprios integrantes) para cada projeto. Trata-se de uma estrutura flexível e mutável.

A liderança da equipe sempre estará com a pessoa que reúne a melhor combinação de perfil, habilidades e competências para cada objetivo específico.

Resultado? Conexão e trabalho para o sucesso.

Algumas dicas são importantes para quem quer implementar e desenvolver esse modelo autogerenciável. Compartilho alguns passos:

Processos claros: as necessidades da empresa devem estar muito bem mapeadas, assim como é preciso haver comunicação centralizada e acessível a todos. Cada pessoa do grupo precisa estar consciente de suas tarefas e objetivos, acompanhando o andamento dos processos e sabendo a hora de entrar em ação.

Perfis complementares: os membros da equipe devem ter grande capacidade técnica e analítica, autocontrole, inteligência emocional e alto grau de comprometimento. Os profissionais ideais para compor este tipo de equipe são aqueles dinâmicos e ágeis, que entregam uma maior produtividade porque conseguem se sentir pertencentes ao propósito da empresa.

Seleção de talentos: para contar com uma equipe proativa, é necessário que essa meta esteja planejada desde a seleção dos colaboradores. O nível de conhecimento técnico, assim como o perfil comportamental, são as bases para que o indivíduo faça autogestão e leve essa habilidade à equipe.

Confiança: em alguns casos, a equipe não se desenvolve porque o líder centraliza as obrigações, fazendo tudo sozinho ou sempre cobrando excessivamente. Dê liberdade e monitore sem interferir quando não há necessidade.

Feedbacks eficientes: deixar a equipe trabalhar não significa abandoná-la ou não manter o controle do andamento das atividades. Feedback é fundamental. Quando puder, demonstre as percepções sobre o desempenho dos colaboradores e sempre mantenha a abertura para conversas com os membros da equipe. Aprimoramento contínuo por meio do diálogo, esse é o caminho.

Para fechar o assunto, cito o livro “Além da Liderança – Devaneios de Uma Gestão”, de Leonardo Peracini, no qual o autor deixa claro que não é possível liderar sem que você conheça a si mesmo e tenha um forte propósito.

Em gestão de equipes, a liderança com propósito tem papel fundamental. Voltando a Frederic Laloux, na obra Reinventando as Organizações, o autor ressalta que as organizações que desejam atingir um novo paradigma, é essencial o envolvimento dos líderes, principalmente:

da alta-liderança: o CEO precisa criar/manter espaço aberto para avanços em autogestão, integrabilidade e princípio evolutivo, para que estas práticas possam se desenvolver dentro da empresa;

dos proprietários: os donos da organização também devem adotar uma percepção evolutiva, mesmo em momentos difíceis, evitando um sistema hierárquico/tradicional de poder.

Essas condições, juntamente com os valores evolutivos, tornam a empresa capaz de operar com uma conduta mais integral e autêntica.

Investir na melhoria contínua de uma empresa é alinhar os objetivos com o propósito evolutivo, gerando resultados mais poderosos e significativos.

Além dessas dicas, você também pode contratar uma especialista em desenvolvimento comportamental para estruturar a autogestão na sua empresa. Se você quiser saber mais sobre minhas ferramentas e soluções para equipes autogerenciáveis, me envie um e-mail.