4 Gerações e 1 Mercado: desafios e oportunidades

Algumas décadas separam baby boomers (nascidos entre o pós-guerra, 1945, e o início dos anos de 1960) da geração Z (quem nasceu de 1990 para cá). Entre eles temos também a geração X (de 1960 até o fim dos 70) e a Y (anos 80).

E as diferenças entre essas gerações não estão apenas nas datas de nascimento.

No mercado de trabalho atual vivemos o paradoxo do encontro entre profissionais de todas essas gerações, que têm diferentes perfis e valores.

Pesquisa desenvolvida pela consultoria Universum revelam alguns aspectos que diferenciam profissionais de acordo com suas gerações. Por exemplo, os baby boomers enfrentam maior dificuldade com as novas tecnologias, enquanto Y e Z possuem extrema facilidade.

Até mesmo o desejo por estabilidade em cargos ou empresas muda de acordo com a geração.

Muito desejada pela geração X, essa sensação ‘estável’ não chama tanta atenção dos profissionais mais jovens. Os millennials (Y) e Z costumam almejar novos desafios profissionais.

O estilo de liderança é outra característica que deixa clara as distinções. Baby boomers tendem a focar em comando e controle enquanto as gerações mais novas acreditam em um modelo mais horizontalizado e relações mais próximas.

Para que a gente consiga lidar com esse “choque geracional” é preciso compreender as características de cada geração, afinal, aspirações e perspectivas distintas não podem gerar conflitos ou comprometer resultados.

Resumidamente, podemos observar os seguintes comportamentos em cada geração:

  • Baby Boomers: se desenvolveram em um cenário de polarização global e conflitos, por isso tendem a valorizar a estabilidade, a fidelidade e uma carreira consolidada, preferindo ser reconhecidos pela experiência do que pela capacidade criativa.
  • Geração X: nascida no auge da revolução cultural, do movimento hippie e da liberdade sexual, resulta em indivíduos com grande desejo de paz e independência. São profissionais comprometidos e lineares que buscam conquistar uma carreira sólida e estável, por isso mesmo, estão habituados com trabalhos rotineiros ou fazer as mesmas atividades todos os dias.
  • Geração Y: conhecidos como “millennials”, se depararam com um mundo totalmente globalizado e marcado pelo desejo de consumo cada vez maior. Filhos da geração X, são regidos pelo imediatismo e intenso questionamento, buscando desde cedo altas posições no mercado de trabalho, já que acabam despertando seu melhor quando são desafiados e recompensados.
  • Geração Z: começa no início dos anos 90 e vai até o momento atual e é composta por pessoas que já nasceram nesse universo que tem tudo conectado pela internet e acesso a informação na palma de suas mãos. Uma característica marcante dessa geração é a crença de que a permanência em um mesmo emprego por toda a vida não precisa ser uma realidade, pelo contrário, tendem a preferir empresas e funções menos formais e burocráticas.

Eu pego aqui um gancho no TED Talk da psicóloga Andréa Cordoniz para enfatizar que gerações diferentes são diferentes, nem melhores nem piores, apenas diferentes.

As características listadas acima são referências, não rótulos. É possível – e muito provável – que pessoas de uma geração tenham características e comportamentos diferentes dos que são atribuídos a sua geração, mesmo porque cada indivíduo tem suas experiências de vida que compõem suas posturas.

O impacto na empresa

Ainda assim, considerando as características predominantes e as mudanças rápidas que a contemporaneidade nos impõe, é preciso saber que diferentes gerações e diferentes pontos de vista impactam em qualquer empresa.

Ainda citando o TED acima, a palestrante menciona o conceito de temporalidade permanente, que basicamente é o tempo que vivemos atualmente, onde tudo é temporário e nada permanente, tudo se transforma numa velocidade maior que antes.

Isso, por si só, já cria conflitos entre gerações. Enquanto profissionais mais novos tendem a achar os mais velhos apegadas aos cargos e comprometidos demais com o trabalho, as gerações anteriores tendem a perceber as mais jovens como descompromissadas ou aceleradas demais.

À organização cabe reconhecer as diferenças para que os impactos dessa convivência sejam transformados em potencial de novos resultados.

É importante que a empresa demonstre que não está considerando uma geração certa e outra errada, mas apenas observando que suas formas de enxergar o mundo são diferentes e utilizando metodologias que mais se adequam para cada uma delas.

As relações de emprego impactam fortemente no desempenho no trabalho, na lucratividade e sustentabilidade do negócio. Entender os valores e pontos vulneráveis que sobressaem em cada geração e qual sua respectiva contribuição é o caminho para gerir cada profissional.

Como lidar com diferentes gerações?

Ou seja, cada empresa deve lidar com as diferenças geracionais para potencializar seus resultados e deixar o ambiente organizacional fluido e diverso. A diversidade etária deve ser uma vantagem competitiva, não um problema.

Algumas atitudes simples podem ajudar nisso, como:

Aproveitar as habilidades dessas multigerações

Pessoas com idades e tempo de serviço diferentes podem combinar qualidades como experiência, disposição, criatividade, conhecimento, entre várias outras, para contribuir com o negócio e com o crescimento pessoal.

Sem preconceitos ou estereótipos

Ideias pré-concebidas sobre as pessoas baseadas em aspectos como gênero, cor da pele, orientação sexual e idade são péssimas aliadas para quem deseja criar um ambiente harmônico. Lembre-se: características de uma geração não devem ser rótulos para um julgamento precipitado, apenas referências para conhecer melhor os anseios.

Fale a “língua” de cada geração

Se comunicar de forma mais efetiva com pessoas de gerações diferentes é possível, principalmente se a empresa adotar uma cultura de diálogo e empatia que preze por compreender cada indivíduo. Isso facilita saber como uma mensagem pode ser melhor compreendida por cada integrante do time.

Escuta ativa

Sempre tenha na empresa o canal aberto para escutar a todos e todas, até para entender como as pessoas se comunicam, qual é seu ritmo e o que eles esperam. Com isso, é possível personalizar e aprofundar as relações com cada colaborador.

Para te ajudar com isso, você pode recorrer ao desenvolvimento de uma soft skill essencial, a Adaptabilidade. Como trouxe nesse texto aqui no blog, essa capacidade de adaptar-se rapidamente é fundamental para compreender individualidades e conseguir criar conexões reais com as pessoas. Isto é, uma ponte para lidar com as diferenças entre as gerações.

Assim, a empresa que favorece o diálogo em equipe, cria um ambiente de troca de ideias – e favorável à aplicação delas em projetos – e estimula a equipe a propor soluções, conseguem sair na frente na gestão de eventuais conflitos geracionais.

As gerações mais novas (Y e Z) gostam dessa oportunidade de participar da construção de novas soluções e a empresa aberta à inovação incentiva que essa iniciativa se escore e estruture na experiência dos baby boomers e X.

O papel da liderança

A expectativa de vida aumenta cada vez mais e, com isso, as pessoas estão adiando a saída do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, os jovens não deixam de entrar nesse mesmo mercado.

Situação comum nas organizações hoje é o fato de vários integrantes de uma equipe serem mais velhos que o líder.

Por isso mesmo, é necessário que o gestor saiba a importância que cada geração tem para sua equipe.

A diversidade é positiva e é papel da liderança unir e fortalecer esse grupo de pessoas de diferentes gerações, estilos e comportamentos.

Um bom líder entende as percepções e necessidades das pessoas do seu time e, a partir disso, potencializa o que existe em comum entre os diferentes perfis.

A gestão de uma equipe multigeracional precisa contar, principalmente, com 3 aspectos:

  • Conexão com as pessoas: conheça seu time, seja próximo para entender as necessidades e peculiaridades de cada integrante.
  • Dê espaço para os potenciais expandirem: ao saber quais são as fortalezas do seu time, o líder sabe onde aproveitar os talentos de cada indivíduo.
  • Engaje e reconheça: crie a cultura do feedback como parte do dia a dia da equipe para que as pessoas saibam que o que estão fazendo está sendo observado pela gestão e que esforços são reconhecidos.

Com uma diversidade de gerações e experiências tão diferentes, é preciso que as empresas e suas lideranças estejam atentas aos perfis que têm em mãos e os que podem chegar quando abrem uma vaga.

Todas as pessoas – independentemente de idade – têm competências únicas e diferentes. É importante que diferenças sejam respeitadas e bem-aproveitadas, tornando-as complementares quando se pensa na gestão de equipes.

Tratar as individualidades como potenciais é o que fará a somatória de competências das gerações gerar excelência em seus resultados de um negócio.