Epidemia de inatividade física: sedentarismo atinge quase metade dos adultos no Brasil e exige atenção

Retorno aos exercícios precisa de progressão adequada para evitar risco de infarto, arritmia e lesões, alerta cardiologista da Hapvida

O sedentarismo atinge 47% dos adultos no Brasil e chega a 84% entre os jovens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário, classificado como uma epidemia de inatividade física pelo Conselho Federal de Educação Física (Confef), acende um alerta pelos riscos associados à falta de movimento e também pela forma como muitas pessoas retomam a prática de exercícios. Sem avaliação médica e sem progressão adequada, o retorno pode aumentar os problemas de saúde, exigindo atenção e orientação especializada.

A falta de atividade física está associada a alterações que se desenvolvem de forma progressiva e, em muitos casos, sem sintomas iniciais, o que dificulta a percepção de risco no dia a dia. De acordo com a cardiologista da Hapvida, Thais Moraes Barros, esse quadro pede atenção mesmo antes do surgimento de sinais clínicos. “Com o sedentarismo, vêm riscos cardiovasculares, como aumento da pressão arterial, dislipidemia (condição que altera os níveis de lipídios no sangue), predisposição ao diabetes, entre outros problemas”, afirma.

Esse risco se torna ainda mais crítico quando o retorno aos exercícios ocorre de forma abrupta, sem preparo ou orientação adequada. Nesses casos, a ausência de uma avaliação prévia pode expor o organismo a eventos agudos. “O ideal é procurar um cardiologista de sua confiança para uma avaliação cardiológica, evitando assim possíveis riscos, como infarto, arritmia e até morte súbita”, afirma a especialista.

Avaliação médica e progressão gradual

Antes de começar ou voltar às atividades físicas, a avaliação médica é um passo relevante, principalmente para pessoas com histórico de doenças cardiovasculares. Situações como insuficiência cardíaca, arritmias, infarto anterior ou alterações nas válvulas cardíacas demandam cuidado específico e acompanhamento individualizado para reduzir riscos durante a prática.

Além disso, a orientação é iniciar com cargas leves e evoluir de forma progressiva, respeitando os limites do corpo. “Ao iniciar, o recomendado é seguir uma intensidade de baixo impacto, idealmente atividade de musculação de duas a três vezes por semana, e aeróbico de 150 a 300 minutos por semana”, explica Thais.

A prática de exercícios deve estar associada a outros cuidados no dia a dia para reduzir os impactos da inatividade e preservar a saúde cardiovascular. A adoção de uma alimentação equilibrada e a manutenção de uma boa rotina de sono contribuem para o funcionamento do organismo.

“É importante buscar e escolher alimentos mais ricos e nutritivos, seguir uma qualidade de sono adequada em torno de sete horas por noite, ter um controle adequado dos fatores de riscos e evitar vícios, como álcool, tabagismo, drogas, entre outros”, orienta a médica.