Em Ribeirão Preto, tumor foi o sexto que mais provocou mortes na última década
Desconforto abdominal, sensação de estômago cheio, náuseas e perda de apetite podem estar associados a diferentes problemas gastrointestinais. Quando persistentes, porém, esses sinais também podem indicar doenças que exigem investigação mais aprofundada, entre elas o câncer gástrico. Em Ribeirão Preto, dados da última década colocam a doença entre os tumores com maior mortalidade na cidade. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 22 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028.
Um dos desafios para o diagnóstico está justamente na forma como a doença se manifesta nos estágios iniciais. As queixas podem ser pouco específicas e se confundir com quadros mais frequentes, como gastrite e úlcera. Perda de peso sem causa aparente, vômito com sangue e fezes escurecidas também estão entre os sinais que exigem avaliação médica.
“O câncer gástrico pode ser completamente assintomático ou se apresentar inicialmente com sintomas que o paciente associa a problemas mais comuns. Quando essas queixas persistem ou mudam de padrão, é importante investigar a causa. A endoscopia, associada à biópsia quando indicada, permite avaliar possíveis lesões e chegar ao diagnóstico”, explica o oncologista Carlos Fruet.
Entre os fatores associados ao desenvolvimento do tumor está a Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori. Apontada pelo INCA como o principal fator de risco para o câncer de estômago, a bactéria está presente em cerca de 70% da população brasileira, segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
A presença do micro-organismo, no entanto, não significa que a pessoa desenvolverá câncer. Ele pode permanecer no organismo sem provocar sintomas por anos, e apenas uma parcela dos casos evolui para quadros mais graves. Essa progressão depende de diferentes aspectos, incluindo o tempo de permanência da H. pylori e a associação com outros fatores.
“A bactéria pode provocar um processo inflamatório crônico e, ao longo dos anos, favorecer mudanças na mucosa gástrica. Quando identificada, é importante avaliar a necessidade de tratamento, reduzindo a exposição a um fator de risco modificável para o câncer”, afirma Fruet.
A transmissão pode ocorrer pelo contato com saliva, vômito ou fezes de pessoas contaminadas, além da ingestão de água ou alimentos impróprios para consumo. Condições inadequadas de saneamento e higiene favorecem sua disseminação.
Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e histórico familiar também podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença. Uma alimentação com presença frequente de produtos salgados, defumados ou processados é outro aspecto associado ao câncer gástrico.
A combinação desses fatores e o histórico de cada paciente ajudam a orientar a necessidade de acompanhamento e de exames específicos.
“Não se trata de transformar qualquer desconforto em motivo de preocupação com câncer. O mais importante é perceber quando uma queixa não desaparece, se repete ou muda de característica e procurar avaliação médica. A identificação da doença em fases iniciais amplia as possibilidades de tratamento”, conclui Fruet.
